tenho saudades...
saudades de um tempo que nunca voltará...
saudades de comer goiabas no pé! de brigar com o irmão pelas maiores. de espetar palitinhos com meu nome em todas as que eu achava q seriam as mais suculentas. tenho saudades das longas tardes de sessão da tarde. saudades de reclamar pra fazer a 'tarefa'. de ouvir resmungos por sempre me atrasar para ir à escola. saudades de acordar muito antes do tempo e sair correndo, achando q estava atrasada. saudades até das chicotadas pelas traquinagens infantis. (+ das traquinagens do que das chicotadas!) SIM, meu pai tinha um chicote, ficava estrategicamente pendurado na maçaneta da porta do corredor, a mais próxima do lugar dele à mesa. saudades de jogar bets, queimada ... na rua em frente de casa. de ouvir os gritos da dona adélia pedindo pra eu parar de gritar com os outros.
era uma criança brava, chorona e caipira - palavras de dona adélia. (q odeia ser chamada de dona!) tinha o hábito de correr para os quartos quando chegava visita. chorava tanto, q dona angelina, a vizinha de muro, diariamente comentava com dona adélia o quanto a noite fora longa.
resultado: 2 eletros e litros de maracujina.
os amigos da infância, de brincar de casinha, de brincar de boneca, de pular muro, de furtar frutas, de ensaiar coreografias das paquitas, de passar horas falando mal da professora, horas elogiando a professora, de jogar bafo, trocar papel de carta, de rodar disco e ouvir o sobrenatural. hoje muitos estão espalhados pelo mundo. muitos já se mudaram de mundo. assim como amigos 'posteriores'. às vezes me sinto um ponto - daqueles fraquinhos no papel. às vezes preciso de colo. mas quero colo de quem está mais longe, muito longe do alcance dos meus braços. alguns num passado tão longe que mal minha memória os alcança.